Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Adam e os Animais

Foto de Edu Campos: nós merecemos uma exposição de sua bela obra.

Assim o Homem vê o mundo.

E hoje é Khitbat-al-wadeh, dia em que se celebra o Sermão do Adeus do Profeta Mohamad, prferido no Monte Arafat. Considerado o dia mais importante da peregrinação à Meca, lugar pra onde foi meu coração-boi.

He saw an animal that liked to growl,Big furry paws and he liked to howl,Great big furry back and furry hair."Ah, think I'll call it a bear." Bob Dylan, Man gave names to all the animals.

Os relatos da Torá, ou do Velho Testamento, chamados de Gênesis ou Bereshit, começam com uma Cosmogonia: “No princípio D-us criou o céu e a terra...” “D-us disse: que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras, segundo sua espécie! E assim fez. D-us fez as feras segundo sua espécie, os animais domésticos segundo sua espécie e todos os répteis segundo sua espécie, e D-us viu que isso era bom. D-us disse: façamos Adam à nossa imagem, como nossa semelhança e que eles reinem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”.

Percebam que “Adam” é um nome coletivo, por isso diz-se “que eles reinem”. Vejam, se os animais foram criados a partir de sua espécie e o homem a imagem e semelhança de D-us, o homem jamais poderia ter evoluído do macaco ou de outras espécies, porque não foi criado a partir da mesma essência. Hoje, até mesmo a ciência, a partir de inúmeras descobertas arqueológicas e outras evidências, já começa, tardiamente, a duvidar de tal evolução, mas, sabemos que o óbvio é sempre o último que aparece. Este seria um assunto do qual eu teria muito a dizer.

“D-us criou o homem à sua imagem, à imagem de D-us Ele o criou, homem e mulher Ele os criou”.

O homem é a “forma” de D-us, entendendo forma no sentido peripatético (eidos), ou seja, o homem é a marca qualitativa de D-us. As Formas Divinas são o conjunto de Qualidades Perfeitas pelas quais D-us revela-se ao universo. O Homem é para D-us aquilo que a pupila é para o olho, sendo a pupila aquilo pelo que a visão é efetuada; pois, através dela ( ou seja, do Homem Universal) D-us contempla Sua criação e derrama Sua misericórdia.

“D-us abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a: dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra.”.

Esse domínio que o Homem deve exercer sobre os outros seres vivos tem a ver com a responsabilidade, ou seja, com o cuidado que deve ter com tudo que lhe foi concedido e com a capacidade de imitar a criação. Se você coloca uma lebre diante de um lobo, ele vai devorá-la impiedosamente, já o homem, mesmo estando com fome, é dotado de capacidade de altruísmo e generosidade, poupando piedosamente a lebre ou o lobo, se quiser. D-us é piedoso, a piedade é uma qualidade de D-us que o homem possui. Os animais seguem seus instintos, os homens devem espelhar as qualidades Dele. Os animais podem ser afetivos e amorosos e podem proteger seus donos em muitos sentidos, mas não podem raciocinar ou ponderar seus atos. Por isso todos sentem profundo ódio dos donos de cachorros da raça pitbull, por exemplo, quando seus cães estraçalham uma criança. O animal não pode ser responsabilizado por sua natureza. Assim nos mostra o peculiar documentário de Werzog sobre o idiota que passa anos forjando uma amizade com os ursos e no final leva sua namorada para conhecer seus amigos e ambos são devorados de forma grotesca pelos selvagens animais. O Homem deve se responsabilizar pelo bem estar dos outros homens e pelo bem estar dos bichos, das plantas e do planeta. Pois é ele o representante de D-us na terra. Sua conduta lhe será cobrada.

Houve um tempo, na chamada Idade do Ouro, antes da queda, em que homens e animais se alimentavam de plantas. Ou seja, nem os animas se comiam, nem os homens comiam os animais.
D-us disse: eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as árvores do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas”.

“Essa é a história do céu e da terra quando foram criados”. Assim termina os relatos dos seis dias de criação e do sétimo de repouso.

Em outra instância, os relatos podem ser vistos como uma Antropogonia:

“No tempo em que Iahweh D-us fez a terra e o céu, ainda não havia nenhum arbusto do campo sobre a terra e ainda não tinha brotado a vegetação, porque o Iahveh D-us ainda não tinha enviado chuva sobre a terra, e não havia ninguém para cultivar o solo. Mas brotava da terra uma fonte, que lhe regava toda a superfície. Então Iavhweh D-us modelou Adam com argila do solo, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida, e ele tornou-se um ser vivente.”.

O homem foi criado para dar sentido à criação. E assim o fez quando nomeou todos os animais inspirado por seu Criador. O nome “Adam” em hebraico deriva de “Adamah”, que quer dizer “solo”. E como diz a Torá, Adam é “uma verdade lançada ao solo”. Ou seja, uma essência divina que fertiliza a terra. Este nome coletivo tornar-se-á o nome do primeiro Ser Humano, chamado em português de Adão. Adam é um andrógino (homem-mulher). Adam não é o homem que pecou, sua metade foi quem pecou, Adam dividido é a queda. Adam Andrógino é o primeiro profeta, o Homem Primitivo (Adam Kadmon). Adam é a única alma da qual foi criado o gênero humano, de acordo com as palavras divinas (no Corão): “Homens, temei à Vosso Senhor, que vos criou a partir de uma só pessoa, e dela criou a sua companheira e de ambos gerou muitos homens e mulheres”. As palavras “temei vosso Senhor” significam: fazei de vossa forma aparente uma preservação para vosso Senhor e fazei de vossa vida interior uma preservação para vós mesmos. Dentro de cada um de nós, homens e mulheres, está Adam. Ser espiritual é fazer com que ele nasça em nosso ser.

“Então Iahweh D-us fez cair um torpor sobre Adam, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. Depois, da costela que tirou de Adam, Iahweh D-us modelou um ser vivente e a trouxe a Adam”.

Havvah (Eva) é explicado pelo termo Hayah, em hebraico, que quer dizer “viver”.

“Então Adam exclamou: esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada “mulher”, porque foi tirada do “homem”.”

Em hebraico a palavra para “homem” é îsh e para “mulher” é îsha, além de mostrar uma derivação mais aproximada, pela fala de Adam, podemos perceber que agora ele reconhece outro ser como sendo de sua própria essência, diferentemente dos animais, que foram criados de suas próprias espécies. Os animais são símbolos, assim como as plantas, que conversam com o Homem e o Amor é o símbolo de comunicação entre todos os viventes.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

Hajj


Estou em peregrinação, sou um boi de coração indo para Meca. Que quem vai vira Homem.
Meus corações são como esses bois, indo para Lá. Mas, sem tal analogia, só iriam até o pasto. E o que é a analogia? É a capacidade de fazer relações entre espelhos e planos. Que só o Homem, imagem e semelhança de seu Criador, será capaz.
Já disse Bertold Brecht: "Se o gado falasse, não iria tão mansamente para o matadouro".

Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Se Confundir


Foto de Edu Campos.

E disseram: Vamos, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamos-nos um nome, para que não sejamos dispersos sobre toda a terra. Então desceu IAHWEH para ver a cidade e a torre que os homens tinham construído; E IAHWEH disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o começo de suas iniciativas; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.
Vamos, desçamos e confundamos a sua linguagem, para que não mais entendam um a língua do outro.
Assim IAHWEH os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade.
Por isso se chamou a cidade de Babel, porque ali IAHWEH confundiu a língua de toda a terra, e dali IAHWEH espalhou os homens sobre a face de toda a terra. Gênesis, XI.

Há quem use as páginas da bíblia pra enrolar um baseado, pois o papel é bom para servir como “seda”. Há quem use para fundar seitas e há quem as use para moralizar com culpas e imputações de pecados seus parentes e amigos. Há quem se sirva de páginas tão finas para grosseiras interpretações. Com seu conteúdo bem manipulado e distorcido é possível construir impérios de poder e corrupção. A verdade é que tudo é permitido, quando tudo está confuso. Quando não se sabe mais o que é joio e o que é trigo, como se pode separá-los? Vivemos em tempos em que é preferível acreditar que um gato é uma lebre do que distinguir um do outro. A preguiça mental nem é percebida, já que a própria faz parte do treino. No mesmo idioma as línguas se confundem em tentativas vãs de se explicarem umas as outras. Entender o outro virou sinônimo de parar de retrucar e começar mais um assunto que será tratado de forma leviana e sem profundidade. Aquilo de que não se gosta, ou é errado ou é ruim e nada é investigado com respeito, mesmo assim, as opiniões surgem com a entonação de uma estranha sapiência. A generosa arte de colocar-se no lugar alheio é esquecida por conveniência de egocentrismo, pois a desculpa moderna para falta de caráter e generosidade é “estou em um momento que eu preciso pensar mais em mim” ou “estamos em momentos diferentes”, em que se confunde pensar no ser com pensar no jeito de ser. Ora, como alguém pode estar no mesmo momento que outra pessoa? E em termos de conhecer o status da questão antes de abrir a boca: quem empreenderia tempo em algo que lhe exigiria esforço, escuta, atenção, consideração, estudo e desprendimento de si? A dialética moderna se resume a um conseguir monologar sem que o outro o corte e a retórica é reduzida ao direito de conseguir falar sem ser interrompido. Quando a fala é um sintoma ela precisa que o ouvinte seja um médico dela e não um interlocutor ouvinte. Pensar junto torna-se quase impossível quando o pensamento é a exposição daquilo que o sujeito arroga saber e não do que ele está investigando. E pergunta-se: há investigação ou a grande parte do que é dito é a repetição de alguma fala ou pensamento que causa identificação psicológica e afetiva no papagaio?

O incauto se exaure em um mecanismo que ele mesmo se colocou e culpa o mundo e os outros de serem de um jeito que, na verdade, é justamente o jeito que tal condicionamento atraiu. Lógica facilmente reconhecida no comportamento medíocre de uma sociedade mimética. Tudo é confusão. Desgastamo-nos em conversas vazias como se estivéssemos apenas adiando o fato de que no fundo o que queremos é “comermos-nos”. E nos comemos como quem empurra a comida pra dentro sem mastigar. Como hábito, como vício. Falar em profundidade ou transcendência é chatear os indolentes, os pragmáticos, os céticos, que geralmente ficam em uma posição de braços cruzados como se fossem jurados de um tribunal a serem convencidos, como se estivessem com a razão só porque são racionais. Ser racional em um mundo rebaixado é não se deixar enganar por crendices ou fantasias mentais ou religiosas, como se a espiritualidade fosse aquilo que um ignorante imagina ou projeta sobre ela.

E logo alguém dirá que estou generalizando. É assim que se protegem os que estão ficando demais parecidos com uma multidão sintetizada e sem rosto, porque as hipérboles são confundidas com generalizações.

O animal manso come, dorme e procria para o sistema. O animal frustrado toma drogas para apagar: bebe, fuma, cheira e chama suas fugas de alegria, como se o riso histérico seu sinônimo fosse. Se não é histeria é tristeza detectada e admitida, já que tudo é desgraça. Ser feliz está fora de moda e é um conceito hoje tido como uma imposição mecadológica. Por causa da recusa à felicidade surge o homem contente, aquele que se contenta com a pequenez que sua covardia lhe proporciona. Os viventes querem se satisfazer, mas atuam como coadjuvantes de si. Cumprem seus papéis como se fossem sentenças de condenados no teatro do ressentimento e investem seu ódio contra os poucos que enxergam o reflexo do Mistério. A covardia virá cobrar seus buracos um dia, em forma de arrependimento, rancor, câncer na alma. Precisamos distinguir os corações sinceros dos sinceristas, ou nossos encontros podem acabar em mistura inócua. A confusão nos mistura com o que não somos, com a ética distorcida, com a acomodação, com o conformismo. O ser humano não nasceu para ser manso como o boi, ou servil como o cão doméstico. O homem é superior aos animais e isso não é uma hierarquia de poder, é uma condição mística. O Ser Humano é o representante de Deus na terra, Seu pontifex, ainda que muitos atuem como se fossem iguais a um jumento ou a uma planta. Por que o homem é superior aos outros seres? Porque tem o potencial de simbolizar e fazer analogias. Ser criado à imagem e semelhança do Criador não é ter sua aparência, é ter Suas qualidades.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Prisioneiros de uma Canção: por favor, venham nos libertar!



Foto de Andreah Dorim: Eugênio La Salvia, Melina Anthis, Leo Lama.

Respeitável público, dia 19 de Novembro é o dia do aniversário da morte do meu pai: Bobo Plin Marcos. Parece piada: aniversário da morte? Bem, coisas da vida. E por isso mesmo vamos comemorar. Homenagem para nós é trabalho e nos deram trabalho então vamos trabalhar. Vai ser na Funarte, que fica lá na Alameda Nothiman, 1058, Campos Elísios e o telefone de lá para maiores e menores informações é 3662-5177 e vai ser 20 horas no horário de verão e eu, Leo Lama, estarei vestido de palhaço e cantarei as músicas que fiz com meu velho infalecível pai e Melina Anthis também estará ao meu lado cantando e Eugênio La Salvia estará tocando violão. Andreah Dorim vai nos iluminar e a produção do espetáculo que chama “Prisioneiro de uma Canção é da Ana Carmelita, minha irmã. Meu figurino é uma produção de Priscilla Carvalho. O pancake é importado e foi emprestado pela Marina Campos.

Agora, respeitável público, uma coisa é garantida, se vocês não comparecerem, não haverá espetáculo. Por esta causa, não me digam que já têm outro compromisso, que gostariam muito de ir, mas não vão poder, não arranjem desculpas para a tal da preguiça, não tenham preguiça, venham mesmo com preguiça, bem vou parar de encher lingüiça. Não, não trema em cima da linguiça.

Os ingressos estão esgotados, fatigados mesmo, de tanto que ninguém os compra. Vai ser de Graça. Haverá música e poesia. Venham mesmo que não venham! Nós também estaremos lá.

Domingo, Novembro 15, 2009

Um Otimista Incorrigível

“Quando você é um ator baixinho você atua em cima de caixotes, quando você é um astro, os outros atores atuam em buracos quando contracenam com você”. MJF

Comprei um livro que eu não compraria. Sendo livros o que mais consumo na vida e tendo gasto quantidades incalculáveis em tomos que já beiram a conta de cinco mil, tento evitar aqueles que não me serão absolutamente imprescindíveis, embora eu deva confessar que comprei muitos por fetiche, pela capa, só pra ter e alguns que nunca mais sequer folheei depois de adquiridos. No entanto leio pelo menos dois por semana e geralmente ao mesmo tempo, sobre os mais variados assuntos. Minha relação com os livros é abertamente encantada e os enxergo como se fossem seres vivos. Em meio a um problema ou desespero existencial abro um ao acaso como se estivesse dialogando com a página aberta em determinado trecho e o que leio muitas vezes delirantemente tomo como mensagem, sabe-se lá de quem ou vinda de onde. Quem se relaciona de modo intenso com livros, sabe do que estou falando. Sinto que se alguém lesse o que está em minhas estantes me conheceria melhor do que se eu falasse de mim. Livros pesam no ambiente, ocupam espaços e algumas vezes sufocam, mas, no meu caso, na maior parte do tempo abrem horizontes em meu crepúsculo. Quantas vezes já não vendi ou dei um monte deles em busca de uma vida mais simples, ou limpa, menos intoxicada de letras e quantas vezes já reergui esses edifícios de papel derrubados de novo na parede. Palavras impressas aprisionadas como fossem borboletas em pregos, mas que voam livres no céu da minha mente.

Comprei o novo livro do Michael J. Fox e gostei muito. Ícone adolescente dos anos oitenta, ator em “De Volta para o Futuro” e em várias séries de sucesso na T.V., hoje com 47 anos, foi um dos atores mais populares de sua geração. Diversos são os motivos que me levaram a gostar do livro. De cara a coisa toda parece ter um tom de mensagem de auto-ajuda e bem que poderia ser a narrativa pessoal de superação e desabafo de um ator de Hollywood surpreendido por tragédia, cheio de auto-piedade e auto-elogios, demonstração de heroísmo e lição de moral, no entanto é um relato sincero, bem humorado, despudorado e otimista como há muito eu não lia. O cara é um homem inteligente e tem muito a dizer. O livro é valoroso. Político, pessoal sem ser indiscreto ou comiserativo, engraçado, instigante. Seus relatos me moveram, me fizeram refletir, me fizeram ficar dias assistindo suas entrevistas no youtoube e me fizeram pensar nas pesquisas com células-tronco. Fox tem a doença de Parkinson e junto a sua Fundação, que arrecada fundos para desenvolver pesquisas para encontrar a cura de doenças degenerativas, luta contra o preconceito e a politicagem que envolve a criação de leis e a aprovação de verbas. Michael foi acusado por um conservador republicano, em um programa de T.V, de fingir os sintomas da doença na frente das câmeras para comover as pessoas de forma apelativa, para que votassem em senadores democratas que apoiavam as pesquisas embrionárias. Disse que por ser ator ele estaria tremendo demais e fingindo estar descontrolado. Suas respostas são sempre elegantes e compreensivas com a desinformação vigente, (assistam as entrevistas) e trazem pontos de vista de rara lucidez. Entre inúmeras partes interessantes do livro, que me fez pensar em como lidamos com doenças, limitações e fatalidades, cito uma que tem a ver com o modo como enxergamos o que não entendemos e como pré-julgamos quase tudo sem a profundidade que tudo deve ter, e, principalmente, tem a ver com o medo causado pela ignorância. E não é esta que quase sempre o causa?

“O artigo no Times, cita Kaylee Haddad, uma amputada que estava em uma piscina comunitária do seu bairro, quando uma mãe se aproximou e pediu que ela colocasse as próteses de pernas de volta porque estava “assustando a minha filha”. A única explicação, ou talvez desculpa para essa mãe é o medo. Sem vontade ou sem saber com explicar a deficiência para filha, ela reage à Srta. Haddad como se esta fosse uma transgressora. Mesmo assim, parece ridículo se imaginarmos uma mãe chegando a uma outra mulher normal na piscina e pedindo para que cubra uma perna com a toalha porque ela está “assustando” sua filha amputada.”. MJF, em Um Otimista Incorrigível (O título original em inglês é mais legal: Always looking up, que tem duplo sentido. “Sempre olhando para cima”, tem a ver com o fato de o autor ter 1.65 de altura e também sugere o otimismo.).

http://www.youtube.com/watch?v=o8lsjfjgAA8

Sábado, Novembro 14, 2009

Silva na Selva

Sim, ela é evangélica e isso é sempre perigoso, devido ao fato de que os crentes brasileiros parecem mais uma congregação de buscadores do "sucesso" e do enriquecimento pessoal do que de uma espiritualidade verdadeira, mas a convicção religiosa de uma pessoa não pode significar o seu caráter se sua sinceridade em crer não for motivo de algum abuso de poder ou desculpa para persuadir a fragilidade alheia. Há muitos não evangélicos corruptos até o último fio de cabelo, portanto não é assim que se julga o caráter de um político ou de uma pessoa. Os atos de qualquer sujeito devem ser coerentes com a ética que beneficie o bem comum e a humanidade em si, ainda mais quando se está decidindo pela maioria. Devemos vigiar e cobrar os que escolhemos para nos "governar", sem que isso signifique patrulhamento ideológico e afirmação preconceituosa. Os rótulos são as mentiras que uns lançam sobre os outros quando não conseguem ter acesso a verdade que supõem possuir. Precisamos crescer conscientes e não repetir frases feitas como papagaios de notícias de jornais. Se tem uma coisa que falta ao brasileiro médio (existe brasileiro alto?), é a capacidade de fazer uma investigação profunda antes de dar uma opinião.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Marina

"Não posso deixar de votar nela, "Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro." Caetano Veloso em entrevista à jornalista Sonia Racy, do Estadão.

Bem, não penso em votar na Marina por ela ser meio preta, meio cabocla, ou “inteligente como o Obama” (a meu ver ela é mais inteligente do que o tal), nem por ela ser, na visão de Veloso, um andrógino do Inácio com o Barack. Vou votar nela porque ela é uma pessoa bela, porque humana e sincera, como há muito não se via.

Devemos eleger o Belo em tudo.

E que o Lula é um apedeuta, lá isso ele é.